Como é a criação de cabras no Brasil?

O leite de cabra vem conquistando cada vez mais os mercados brasileiros, tanto na forma de leite pasteurizado, como na forma de leite em pó e derivados, além de continuar sendo importante fonte de alimentação de comunidades carentes.

Com cerca de 12,2 milhões de cabeças, o Brasil possui o 9º maior rebanho de cabras do mundo, porém contribui com apenas 1,3% da produção mundial de leite de cabra. Novos conceitos de organização e gerenciamento da unidade produtiva, implementação do regime de manejo adequado para cada fase da exploração e a adoção de técnicas modernas, são pré-requisitos para a melhora da qualidade de vida do homem rural.

Mas apesar de sua pouca expressividade em termos econômicos, estudos de viabilidade econômica afirmam que a atividade é uma das mais interessantes e mais eficazes para aumento da renda dos pequenos produtores. Além do fluxo de caixa dinâmico, que torna a atividade leiteira a mais frequente entre agricultores familiares, a facilidade de manejo, a necessidade de pequena área e de pequeno volume de alimentos para suportar a produção e o maior valor agregado do produto, aumentam a competitividade da caprinocultura leiteira especialmente no Nordeste, no qual tem sido destacada durante séculos como área de vocação para a criação de cabras e ovelhas, devido a boa adaptação dos animais à região.

Atualmente no Brasil, existem 6 principais raças que são consideradas nativas do Nordeste, e são caracterizadas por serem em sua maioria animais pequenos, com alto poder de adaptação e boa capacidade reprodutiva, porém produzem pouca carne e leite. São elas:

Canindé

Fonte: fundaj.gov.br

Sua origem vem das cabras que chegaram junto com os portugueses, no período da colonização e quase foi extinta na grande seca de 1877, restando pouquíssimas cabras que foram encontradas no vale do rio Canindé no Piauí. Produz mais leite do que as outras raças de cabras brasileiras e possuem alta taxa de reprodução.

As Canindés têm a cabeça de tamanho médio, orelhas pequenas ou médias, chifres direcionados para trás, pelos pretos com a área em volta dos olhos, barriga e pernas em tons de vermelho claro ou branco.

Se desenvolveram no ambiente semiárido do Nordeste, se adaptaram bem às regiões de muito calor e podem digerir muito bem a vegetação natural dos cerrados e da catinga quando criada em ambiente aberto.

Moxotó

Fonte: Embrapa

A raça Moxotó tem sua origem no vale do Moxotó localizado no Pernambuco, no entanto há desacordos sobre sua origem verdadeira, alguns afirmam que é o resultado de cruzamento da raça Alpina Francesa com cabras brancas nativas, outros afirmam que é a mesma raça chamada de serpentina em Portugal.

É a única raça oficialmente reconhecida. É costuma ter várias crias, com cerca de 40% de partos múltiplos. Seu pelo é castanho ou esbranquiçado, com uma listra preta que desce desde a nuca à base da cauda. Outra listra circula em volta dos olhos e desce à ponta do focinho. Tem pelos lisos, brilhantes e curtos. Sua cor também é escura embaixo dos joelhos e jarretes, assim como as mucosas, ventre, úbere e cascos.

Também é uma raça pequena, apesar de produzir pouco leite (cerca de 1/2 litro por cabra por dia). É ótima produzindo de pele e boa produzindo de carne.

A Moxotó está espalhada nos estados da Paraíba, Pernambuco, Ceará, Bahia e Piauí. Porém, vem desaparecendo aos poucos devido aos cruzamentos não supervisionados.

Gurgueia

Fonte: Embrapa

A Gurgueia provavelmente teve sua origem na região do Vale do Gurgueia, no estado do Piauí. É possível que seja descendente das cabras alpinas, introduzidas no Brasil no período da colonização.

Destaca-se na produção de couro e carne, porém tem feito parte de programas de reprodução selecionada para se tornar apta a produzir mais leite. É uma raça muito forte, o que diminui consideravelmente os gastos com a criação. Por ter se desenvolvido no clima semiárido nordestino, se adaptou muito bem ao bioma dos cerrados e da catinga se criada em ambiente aberto. Possui grande importância nutricional e econômica no Nordeste. Seu pelo é baio com uma listra escura no dorso, sua barriga e membros também são pretos.

A Gurgueia infelizmente está em risco de extinção, principalmente por causa de acasalamentos não monitorados com outras raças da região.

Serrana Azul

Fonte: Embrapa

Alguns pesquisadores que asseguram que a serrana azul vem da cabra serrana portuguesa, enquanto outros pesquisadores afirmam que tem sua origem na região oeste da África. A cabra serrana azul encontra-se principalmente no Pernambuco, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Piauí. Seu pelo é azulado ou cinza-azulado, com as extremidades possivelmente bem escuras. São cabras pequenas, que medem cerca de 60 cm, com o peso médio adulto de 43 kg.

É considerada a mais fecunda das raças de cabra. São robustas e produzem queijo e leite de qualidade. Assim como as outras raças, também se adaptam bem ao clima do Nordeste quando criada em regime aberto.

Repartida

Fonte: Embrapa

Como outros caprinos nativos, sua origem vem das que foram trazidas pelos portugueses. Também são de pequeno porte.

A repartida, tem a cabeça de tamanho médio a grande, chifres fortes, inclinados para trás e para os lados, orelhas variando de pequenas a médias, seu corpo é alongado com a lombar reta, pernas e patas firmes e bem equilibrados, seus pelos são curtos, e pretos na parte da frente do corpo e castanha clara ou escura na parte de trás. Possuem cerca de 80cm e o peso médio das adultas é de 36Kg.

Encontra-se espalhada por todo o Nordeste, mas vem sumindo aos poucos por causa dos acasalamentos não controlados e da falta de um programa de preservação.

Marota

Marota
Imagem de Zahaoha por pixabay

Da mesma maneira que as outras raças de cabras brasileiras, a marota também produz pouco leite. Com a ajuda da EMBRAPA, a preservação dessa raça, atualmente, tem como foco cabras bem adaptadas ao clima semiárido do Nordeste e melhorar a produção de leite e carne com a finalidade de atender às famílias que moram nessa região, proporcionando uma qualidade de vida melhor.

A marota é pequena e tem pelos brancos, possui a cabeça um pouco grande e robusta, orelhas pequenas com pontas arredondadas, largas e podem ter manchas pequenas mais escuras, chifres bem desenvolvidos, que se separam desde a base, um pouco virados para trás e para fora, as pontas viram suavemente para frente na maioria das vezes, pescoço fino; tronco levemente alongado. A pele e mucosas são claras com coloração na cauda e na parte de dentro das orelhas; seus pelos são curtos e há barba.

Apesar da importância, a necessidade da preservar as raças de cabras brasileiras, assim como as outras, a marota está em risco de extinção e extinção por causa dos acasalamentos não monitorados, que dão origem a cabras sem raça definida (SRD), que são o maior rebanho de cabras do Nordeste.


Leia mais em:

Embrapa - Caprino de leite

Enbrapa - Manejo Reprodutivo

Wikipédia - Categoria: Raças de cabras nativas do Brasil