Gatos da América do Sul

Conhecemos várias espécies de gatos domésticos e de alguns felinos selvagens, principalmente os que vemos na internet ou em documentários como linces, leões, leopardos e tigres de países estrangeiros, mas o Brasil também tem vários felinos incríveis que você precisa conhecer. Todos nós já ouvimos falar dos dois maiores felinos do país, que são a onça-pintada e a onça-parda (também conhecida como suçuarana ou puma). Hoje, veremos lindos gatos que habitam diversas áreas do país e que apesar de terem quase o mesmo tamanho de um gato doméstico não são nenhum pouco dóceis e muito ariscos. Então, é melhor não querer ter um desses em casa.

Gatos-do-mato

Sabe-se muito poucos sobre os felinos brasileiros como os gatos-do-mato, mas é evidente que a maioria deles sofre risco de extinção por perda de habitat, atropelamentos, doenças transmitidas por cães e retaliação (fazendeiros que os matam por terem atacado ou para não atacarem suas galinhas).

1. Gato-do-mato-grande

Gato do mato grande
Gato do mato grande. Imagem de Николай Усик de Wikimedia

Nome científico: Leopardus geoffroyi.

Geralmente é encontrado em áreas mais abertas do que os outros gatos-do-mato. Costuma ser um pouco maior do que um gato doméstico de tamanho padrão com cerca de 90 cm de comprimento e pesam até 5 kg. Um comportamento muito interessante observado nesses felinos, é que já foram vistos se levantando sobre as duas patas traseiras para olhar a área ao seu redor enquanto usam sua cauda como apoio, como um canguru.

Estão no topo da cadeia alimentar do ambiente que habitam, se alimentam principalmente de lebres, roedores, pequenos lagartos, e ocasionalmente de peixes e sapos. Os machos, possuem territórios de até 12 quilômetros

2. Gato-do-mato-pequeno

Gato-do-mato-pequeno
Gato-do-mato-pequeno. Imagem de Anderson Nasc de Wikimedia

Nome científico: Leopardus guttulus.

Também é conhecido como gato-tigre-do-sul. Podem ser encontrados no Centro-Oeste, Sudeste e no Sul do país. Pesam de 1,5 Kg a 3 Kg e medem pouco mais de 80 cm até a ponta da cauda. Assim como a maioria dos pequenos felinos, se alimenta de pequenas aves, roedores e répteis. Estima-se que existam apenas 6 mil dessa espécie, é portanto um animal em risco de entrar em extinção principalmente pela perda de habitat. Originalmente foi considerada como uma subespécie do Leopardus tigrinus, mas em 2013 passou a ser classificado como uma espécie diferente, para isso, foi levado em conta as diferenças de ambos, como tonalidade da pelagem, diferenças no tamanho das mancha, cauda e orelhas

3. Gato Macambira

Gato macambira -leopardus tigrinus
Gato macambira – Leopardus tigrinus Imagem de Groumfy69 por Wikimedia

Nome científico: Leopardus tigrinus

É muito confundido com o gato-do-mato-pequeno, e até 2013 eram considerados como sendo da mesma espécie. É o menor felino do Brasil tendo o mesmo tamanho de um gato doméstico com 77 cm de comprimento e 2,5 kg em média. A maior parte de seu comprimento deve-se a sua longa cauda que equivale a 60% do tamanho de seu corpo. Sua dieta é composta principalmente de passarinhos e pequenos lagartos. São encontrados em todo o Brasil, mas principalmente nas áreas mais ameaçadas da caatinga e cerrado.

Gatos palheiros

Existem muitos tipos de gatos-palheiros espalhados por toda a América do Sul. Todos eles são muito pouco conhecidos e até recentemente não tinha sido feito nenhum estudo de classificação e diferenciação desses animais e todas elas eram muito conflitantes. Acreditava-se que existiam sete subespécies, mas um estudo de 2020 feito pelo Doutores Fábio Oliveira, Anderson Feijó e Jilong Cheng afirmou que na verdade, são cinco espécies diferentes. No Brasil no entanto, apenas duas espécies são encontradas.

4. Gato-palheiro-do-pantanal

Leopardus braccatus sentado. Pelo avermelhado e patas pretas
Leopardus braccatus. Imagem da Prefeitura de Belo Horizonte por Flickr

Nome científico: Leopardus braccatus

No Brasil, habita principalmente a região central nas áreas de savana. Possui a pelagem amarronzada ou amarela acinzentada com as patas e a ponta da cauda pretas. E se alimenta de pequenos mamíferos, aves, lagartos, serpentes e insetos.

5. Gato-palheiro-dos-pampas

Leopardus munoai
Gato – palheiro-dos-pampas. Imagem de uab.capes.gov.br

Nome científico: Leopardus munoai

São encontrados apenas nas áreas de pampas no Rio Grande do Sul. Sua pelagem é semi-longa e costuma ser mais áspera do que a dos outros felinos, com coloração que varia do amarelado ao acinzentado com listras diagonais na lateral do corpo, também possuem listras pretas nos membros e as solas de suas patas são totalmente pretas. Diferentemente dos outros felinos, se alimentam principalmente de roedores.

Outros felinos

Além dos gatos-do-mato e gatos-palheiros, não poderiamos deixar de citar três dos mais icônicos felinos do Brasil, também presentes no México e Sul dos Estados Unidos.

6. Gato-maracajá

Gato Maracajá
Gato Maracajá. Imagem de Malene Thyssen por Wikimedia

É um felino muito característico por seus olhos grandes, sobressalentes e bem delineados que o ajudam a enxergar ainda melhor à noite e as belas manchas que se espalham por todo o corpo. Apesar de ser menor que a jaguatirica, suas garras são maiores e possui uma cauda que equivale a 70% do tamanho de seu corpo. Habita quase todo o Brasil em regiões florestais mas pode ser encontrado principalmente na Amazônia.

Um fato muito interessante sobre o maracajá, é que ele já foi observado imitando saguis e pássaros para atraí-los. Além disso é um dos únicos felinos que conseguem virar os tornozelos a 180º e descer de árvores de ponta-cabeça.

Atualmente é classificado como quase ameaçado e estima-se que nos próximos 15 anos , sua população diminua em 10% principalmente devido à perda de habitat.

7. Jaguatirica

jaguatirica
Jaguatirica. Imagem de Abujoy por Wikimedia

Também conhecida como ocelote. É muito parecido com o gato-maracajá, mas é maior e seus olhos são menores. Se alimenta de roedores, aves, répteis e peixes. É encontrado em toda a América Central e do Sul e apesar de ser o felino mais abundante na América do Sul, sua população vem diminuindo e está classificado como vulnerável.

8. Jaguarundi

Jaguarundi
Jaguarundi. Imagem de Vassil por Wikimedia

Seu nome significa onça escura e também pode ser conhecido como gato-mourisco. É o terceiro maior felino, logo após a onça-pintada e a onça-parda. Possui pernas curtas, orelhas e cabeça pequenas e corpo comprido. Sua cor varia do cinza ao vermelho acastanhado. Os com cores mais claras costumam habitar regiões mais secas e os mais escuros as florestas.

Algumas curiosidades sobre os jaguarundis é que eles podem vocalizar vários sons diferentes como assobios ou chiados de pássaros. Ademais, estudos indicam que os jaguarundis são aparentados com os guepardos.

Um estudo de 2018 mostrou que o Brasil possui 12% dos mamíferos do planeta e cerca de 23% dos peixes de água doce de todo o mundo. Assim como, 16% das aves e 15% de todas as espécies de animais e plantas do mundo, sendo que 9% são animais. Ou seja, a fauna Brasileira tem uma enorme importância não só no próprio país mas sim no mundo todo.

Apesar de não parecer, o sumiço de animais que “ninguém” vê, pode causar graves problemas para a sociedade. Por exemplo, simples insetos que muitas vezes consideramos sem importância como as abelhas, são responsáveis por 30% da produção de alimentos no Brasil, a polinização que fazem voando de uma flor à outra é o que faz grande parte dos nossos alimentos crescerem. Se os alimentos estão cada dia mais caros, sem as abelhas ficarão ainda mais.

Então não importa qual é o animal, todos eles de alguma forma fazem sua parte e ajudam a manter nosso meio ambiente em equilíbrio, por isso, é muito importante entender, conhecer e ajudar a preservar o país com uma das maiores diversidades de animais e plantas do mundo, o Brasil.


Leia mais em:

ICMBio - CENAP - Carnívoros brasileiros

UAB - Capes - Pesquisador propõe nova classificação de gatos palheiros

BBC Brasil - Importância do Brasil na biodiversidade mundial é maior do que se pensava, dizem cientistas

UOL Vestibular - Desaparecimento de abelhas - Fenômeno ameaça segurança alimentar