Que pássaro devo comprar? Posso criá-lo solto em casa?

Enquanto algumas pessoas gostam de ter cães ou gatos como pets, outras preferem criar animais menores, que deem menos trabalho e que ainda assim sejam lindos, como os pássaros. Hoje veremos alguns cuidados que precisamos tomar ao adquirir uma ave como animal de estimação e como mantê-la saudável e feliz.

Primeiramente, é preciso verificar se o pássaro desejado está na lista de aves permitidas para criação em cativeiro. Afinal, seria uma crueldade pegar um passarinho que passou a vida toda livre, trancá-lo numa gaiola pequena e esperar que ele cante e viva feliz para sempre.

Algumas pessoas, muitas vezes escolhem aves como os papagaio, cacatuas e canários da terra sem saberem que na verdade, não são domésticas e só podem ser vendidas as aves que já tenham nascido em cativeiro em um estabelecimento que tenha a autorização do IBAMA, para evitar a crueldade com animais e extinção na natureza através captura massiva para o comércio ilegal.

Abaixo temos alguns pássaros lindos que você pode ter em casa que são considerados domésticos e são permitidos para criação.

Periquito-australiano

A imagem mostra cinco periquitos empoleirados lado a lado

Periquito-australiano. Imagem de Josh More via flickr

O periquito-australiano é o terceiro animal de estimação mais popular do mundo, atrás somente dos cães e gatos. É um pássaro inteligente e pode até mesmo aprender a dizer algumas palavras. Na natureza, costuma viver em grandes bandos com dezenas de indivíduos sendo portanto, uma pássaro muito sociável e que de preferência não deve ser deixado sozinho.

A cor natural dos periquitos e verde e amarela com listras pretas mas, com a criação em cativeiro, várias novas cores foram produzidas, estando disponível nas cores azul, amarelo, cinza, violeta e branco. Um fato curioso sobre esses animais é que quando expostos à luz ultravioleta, suas penas brilham.

Identificando o sexo

É possível identificar o sexo dos periquitos após os 6 meses, quando se tornam adultos. As fêmeas costumam ter o nariz rosados e o dos machos, azuis. Porém, em machos albinos ou lutinos (amarelos) seu nariz fica rosado por toda a vida.

Além do nariz azul, os machos são geralmente mais alegres, carinhosos, extrovertidos e costumam cantar mais. As fêmeas por outro lado, são mais dominantes e introvertidas.

Reprodução

Seus ninhos são construídos em buracos de árvores portanto, se quiser que seu periquito se reproduza, seria ideal obter um ninho fechado com uma abertura apenas para entrar e saírem. São postos de 4 a 6 ovos num intervalo de 2 ou 3 dias para cada um deles, levando de 18 a 21 dias para chocarem. As fêmeas podem colocar ovos mesmo quando não há um macho, mas por não serem fertilizados não eclodirão.

Alimentação

Na natureza, sua alimentação é composta quase totalmente de vários tipos de sementes. Porém em cativeiro, a alimentação pode ser complementada com castanhas, avelã, amendoim, milho, sementes de abóbora e girassol, espinafre, cenoura, alface, couve e banana, frutas vermelhas, melão, melancia, pêssego ou laranja. Porém, os periquitos não podem comer abacate e sementes de maçã, pois são perigosos para a sua saúde.

Mandarim

A imagem mostra dois mandarins, um macho e uma fêmea, empoleirados em um galho

Mandarim macho e fêmea. Imagem de Laurie Boyle via flickr

Os machos se distinguem das fêmeas por possuírem manchas laranjas na região das bochechas, bico e as patas avermelhados, listras no peito, e cantam. As fêmeas por outro lado, possuem apenas uma “lágrima” na região da bochecha, o bico e as patas são mais claros, não possuem listras no peito e não cantam.

Alimentação

Sua alimentação consiste principalmente em alpiste e verduras (exceto laranja e alface), sendo as preferidas couve, almeirão, escarola, espinafre e chicória.

Reprodução

Apesar de alcançarem maturidade sexual com apenas 3 ou 4 meses, o ideal é que o acasalamento seja feito depois dos 9 meses, visando que terão mais cuidados com os filhotes. Os mandarins preferem ninhos específicos para a espécie, ondem põem de 4 a 8 ovos, que chocam em aproximadamente de 12 dias.

Diamante Gould

Um diamante-gould empoleirado de costas

Diamante-gould. Imagem de Bernard Spragg.

É uma ave tranquila e tímida perto de humanos porém na natureza, é muito sociável e pode viver em bandos de até mil indivíduos.

Na natureza a coloração de sua cabeça pode variar entre vermelha, preta ou laranja. No entanto, por causa de decorrentes de mutações desenvolvidas em sucessivos cruzamentos, pode ser encontrado atualmente em cativeiro com diversas colorações.

Identificando o sexo

A distinção entre gêneros é menos pronunciada nessa espécie. Os machos são os mais coloridos, com o bico amarelo-claro com sua ponta da mesma cor que a cabeça. As fêmeas no entanto, são mais opacas e têm caudas menores.

Alimentação

Sua alimentação é muito parecida com a do mandarim. Consistindo principalmente em uma variação de sementes e que pode ser complementada com frutas e verduras. Porém na natureza, também costumam comer insetos já que contêm muita proteína.

Reprodução

Apesar de a reprodução dessas aves ser possível em cativeiro, pode não ser bem-sucedida se os pássaros e o dono forem inexperientes. O diamante-gould costuma ser um pássaro muito tímido perto de humanos, precisando de um local adequado e tranquilo para que se reproduzam. Enquanto criam seus filhotes, os pais se tornam muito territoriais, não permitindo que outras aves ou pessoas se aproximem.

Os filhotes nascem pelados, e a coloração de suas primeiras penas é cinzenta. Somente após o primeiro mês de vida é que começa a ser feita a troca de suas penas para a coloração dos adultos.

Canário-doméstico

Canário pousado no chão

Canário-domestico. Imagem de Michelle Bender via flickr

Atenção! O canário-do-reino, canário-belga ou canário-doméstico é uma espécie diferente do canário-da-terra. A criação em cativeiro do canário-da-terra é proibida.

O canário-doméstico é um dos pássaros mais comuns como animal doméstico – assim como o periquito. Muito apreciado principalmente pelo seu belo canto, é um pássaro dócil e alegre, porém, machos e fêmeas devem ser mantidos separados.

Identificando o sexo

É muito difícil reparar em diferenças físicas entre machos e fêmeas. A forma mais fácil de distingui-los é que apenas os machos cantam.

Alimentação

Se alimenta principalmente de sementes e painço mas sua alimentação pode ser complementada com alface, couve, espinafre, cenoura, maçã, laranja e peras. Além disso, na natureza também podem se alimentar de insetos.

Reprodução

A reprodução de canários-domésticos não é aconselhável para iniciantes. Além disso, sua reprodução em cativeiro pode não ser tão fácil quando comparada com a de outros pássaros como o periquito.

O canário-doméstico alcança a maturidade aos sete meses, quando está pronto para se reproduzir. Para que isso ocorra, é preciso deixar disponível alguns materiais para que o ninho seja construído – como algodão, penas, pelos de outros animais ou fibras vegetais. São postos cerca de seis ovos que levam de 12 a 16 dias para chocarem. Durante esse período, a fêmea cuidará dos ovos enquanto o macho será responsável por buscar o alimento.

Calopsita

Calopsitas macho e fêmea empoleirados. A fêmea está de costas e seu bico está escondido nas penas das costas.

Calopsitas. Imagem de Geoff Mckay via flickr

As calopsitas costumam ser aves dóceis e bastante ativas. São capazes de imitar sons que ouvem com frequência – como trechos de músicas, ou seu próprio nome. Geralmente (mas não exclusivamente) são os machos que costumam falar ou cantar.

Identificando o sexo

Como é comum na maioria das aves, os machos costumam ter cores mais vibrantes com a cabeça totalmente amarela. As fêmeas portanto, possuem a cabeça predominantemente cinza e o vermelho de suas bochechas não é tão vivo. Além disso, as fêmeas costumam ter a parte interior de suas caudas, listrada.

Alimentação

Com uma alimentação adequada e cuidado apropriado, as calopsitas podem viver até 25 anos.

Verduras escuras são as mais indicadas e podem ser oferecidas com frequência. Além disso frutas e legumes em geral podem entrar em sua dieta, porém devem ser oferecidos com moderação, já que o consumo exagerado pode causar obesidade ou diarreia. Deve-se estar atento, no entanto, para algumas restrições como alface, abacate, tomate, sementes de girassol e sementes de frutas em geral.

Reprodução

A reprodução da calopsita é um pouco mais demorada. Por mais que alcancem a maturidade sexual após alguns meses, é indicado que se reproduzam depois dos 12 meses, para ter mais sucesso nos cuidados com os filhotes. Geralmente são botados de quatro a sete ovos, que levam de 17 a 22 dias para chocarem.

Os ninhos das calopsitas podem ser horizontais mas a preferência é que sejam verticais, com cerca de 30 cm de profundidade. O fundo deve ser preenchido com serragem granulada.


Para ver a Lista de Animais considerados Domésticos pelo IBAMA acesse o site: www.acperjebr.com.br.

Assim que escolher o pássaro desejado, é preciso procurar por um viveiro adequado, lembre-se que quanto maior, melhor. É importante sempre verificar o espaçamento entre as grades para não acontecer qualquer acidente ou o pássaro conseguir fugir. A gaiola precisa ficar em um local protegido do vento e da chuva, mas que possa receber luz do sol todos os dias, como por exemplo, próxima de uma janela.

Mesmo tendo uma boa gaiola é recomendado que deixe seu pássaro solto dentro de casa por pelo menos 15 minutos por dia, assim, poderá abrir as asas, se exercitar e se distrair. É algo bem simples de entender se pararmos para pensar em como deve se sentir um animal que ao invés de voar o dia todo, todos os dias como deveria ser, está preso em uma gaiolinha com apenas dois poleiros pelo resto da vida. Aves que vivem presas, principalmente as maiores como cacatuas e papagaios (que só podem ser adquiridos com autorização), podem se tornar agressivos e compulsivos, então é sempre bom se tornar amigo do seu pássaro.

Separamos a seguir alguns exercícios que podem ajudar para que você e seu pássaro se tornem mais próximos. Cada etapa requer muita paciência e dedicação e devem ser feitas alguns minutos por dia, por uma semana, ou até que perceba que ele já se acostumou.

1 – Assim que seu pássaro chegar em casa, deixo-o na gaiola para se habituar ao novo ambiente. Converse com ele e deixe sua mão próxima a gaiola para que se acostume com a sua presença.

2 – Depois que estiver mais tranquilo e começar a cantar., tente colocar um dedo na gaiola com algum pedacinho de fruta ou semente que ele goste e espere ele vir comer, faça isso várias vezes até que esteja acostumado.

3 – Coloque a mão dentro da gaiola por 5 a 10 minutos por dia. Não tente se aproximar do pássaro, apenas deixe sua mão parada para que ele se acostume.

4 – Depois de uma semana, é possível que seu passarinho já tenha se acostumado com a sua mão. Para aprofundar mais o exercício, tire o potinho de comida dele e depois de 1h30min coloque as sementes ou alguma fruta que ele gostar na sua mão e aguarde. O resultado desejado é que ele suba na sua mão para comer.

5 – Continue o exercício de comer na mão, diversifique sempre por alguma comida interessante e estimule-o até que ele suba no seu dedo para comer e se sinta à vontade com isso.

Depois de seguir esses passos, se sentir que você e seu pássaro estão mais próximos, tente soltá-lo dentro de casa. Basta colocá-lo em um cômodo seguro, fechar as portas e janelas e abaixar as cortinas para que ele não bata no vidro. Deixe-o explorar e se acostumar com o local enquanto você apenas o observa, com o passar dos dias continue soltando-o e oferecendo frutas ou sementes, assim, com o tempo ele voará e ficará com você sempre que quiser.

Mas, algumas pessoas optam apenas por cortar a ponta das asas do pássaro, se esse for o caso, é importante que um veterinário faça isso da forma adequada para evitar qualquer acidente. Além disso esse procedimento só é indicado para um pássaro que nunca voou e que desde filhote esteve em cativeiro. Se cortar as asas de um que costumava voar, ele ficará deprimido e pode até mesmo morrer.

Os pássaros também podem ser animais muito espertos e aprendem a distinguir gestos e sons facilmente. Com o empenho correto, a relação entre ave e criador pode ser muito mais próxima do que a de um simples passarinho que só serve pra se ver a beleza e ouvir cantar numa gaiola.


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