As 5 maiores extinções

A extinção dos dinossauros não foi a única extinção em massa. Desde quando há vida na Terra, várias aconteceram e todas as separações na escala de tempo geológico (como Cretáceo, Jurássico e Triássico), são baseadas em extinções em massa.

Ao contrário da extinção local, que é a extinção de uma população em uma determinada região, a extinção em massa pode ser definida como um acontecimento geológico caracterizado pela extinção de inúmeras espécies, reduzindo grandemente a diversidade de vida no planeta todo.

Esses fenômenos normalmente são associados a uma combinação de fatores e suas causas variam de um evento para o outro, podendo ser causadas por asteroides, mudanças climáticas, erupções vulcânicas, alterações no nível do mar, a movimentação dos continentes, entre outras.

Todas essas informações podem ser estudadas através de evidências presentes nos fósseis. Portanto, um dos maiores enigmas dos paleontólogos é descobrir e explicar o motivo de como essas extinções ocorreram, já que os fósseis mais antigos são mais difíceis de serem encontrados (uma vez que são normalmente enterrados a uma profundidade considerável) e a datação de fósseis mais antigos é mais difícil.

Apesar de serem conhecidas como grandes catástrofes, as extinções aceleraram a evolução da vida na Terra. Estes eventos eliminaram os grupos dominantes abrindo espaço para novos habitantes.

É difícil definir exatamente o que constitui um evento de extinção como “principal” e diferentes paleontólogos possuem opiniões diferentes sobre quantas grandes extinções ocorreram. Porém, há um consenso de que houve 5 extinções massivas:

Escala do tempo geológico simplificada, mostrando os éons, eras, e as divisões de períodos, épocas e idades.

Escala do tempo geológico simplificada, mostrando os éons, eras, e as divisões de períodos, épocas e idades. Imagem de Fabirichter via Wikimedia

Era Paleozoica

Extinção do Ordoviciano

Esta foi a segunda maior, sendo quase duas vezes mais severa do que a extinção dos dinossauros (sobre a qual falaremos adiante) e ficando abaixo apenas da extinção do Permiano, que aconteceria muitos milhares de anos depois.

A extinção ordoviciana ocorreu muito antes dos primeiros dinossauros, quando a maior parte dos seres vivos ainda era de invertebrados aquáticos e pequenos peixes. Durante esse período, vários eventos desencadearam a extinção de 85% das espécies marinhas.

Há muita controvérsia sobre o que causou a extinção, mas a teoria mais aceita até o momento é que foi o resultado da queda dos níveis de dióxido de carbono que desencadearam um rápido resfriamento global. Isso causou uma diminuição no nível do mar, reduzindo o habitat disponível para muitos organismos. A glaciação fez com que a vida marinha fosse parcialmente novamente diversificada e um novo ecossistema de água fria foi estabelecido.

Uma segunda fase de extinção ocorreu devido a um aquecimento global que, consequentemente, elevou novamente o nível do mar e causou a diminuição das geleiras. A segunda fase está associada à grande queda de oxigênio e à toxicidade da água.

Porém, em maio de 2020, estudos sugeriram que a causa da extinção em massa teria sido o aquecimento global, relacionado a erupções vulcânicas e aos baixos níveis de oxigênio na atmosfera – e não devido ao resfriamento e glaciação, como considerado anteriormente. Portanto, ainda faltam dados e estudos para que uma única teoria precisa seja aceita.

Este é o diorama de um antigo leito marinho na área de Cincinnati, Ohio, durante o Ordoviciano Superior. Esta é uma exposição pública no Museu Estadual de História Natural de Nebraska. Os organismos descritos incluem um cefalópode nautilóide de casca reta, trilobitas Isotelus & Flexicalymene, corais chifres Grewingkia, corais coloniais, bivalves, gastrópodes, braquiópodes, briozoários, crinóides, edrioasteroides, estrelas do mar e algas.

Este é o diorama de um antigo leito marinho na área de Cincinnati, Ohio, durante o Ordoviciano Superior. Esta é uma exposição pública no Museu Estadual de História Natural de Nebraska. Os organismos descritos incluem um cefalópode nautilóide de casca reta, trilobitas Isotelus & Flexicalymene, corais chifres Grewingkia, corais coloniais, bivalves, gastrópodes, braquiópodes, briozoários, crinóides, edrioasteroides, estrelas do mar e algas.

Extinção do Devoniano Superior

As causas da extinção de 70% de toda a vida marinha ainda são desconhecidas mas as teorias mais apoiadas são – assim como as da extinção anterior – a queda das temperaturas, falta de oxigênio e envenenamento dos mares. A duração desse evento é incerta, mas estimativas variam de 20-25 milhões de anos e há evidências de aproximadamente oito a dez catástrofes durante esse período.

Nesta época surgiram enormes recifes de corais e os peixes e tubarões se proliferaram, dominando os ambientes aquáticos. Foi então que os vertebrados começaram a sair da água e a dominar a terra seca. Surgiram os insetos, e as plantas passaram de 30 cm a enormes 30 m desde o início desse período.

Além disso, surgiram os primeiros anfíbios e a terra foi populada por artrópodes como escorpiões e centopeias.

Diorama de um antigo leito marinho durante o Devoniano. Esta é uma exposição pública no Museu das Montanhas Rochosas em Bozeman, Montana. Os animais representados incluem cefalópodes de casca reta e espiralada, crinóides, corais solitários e coloniais, um placoderme artrodire e algas.

Diorama de um antigo leito marinho durante o Devoniano. Esta é uma exposição pública no Museu das Montanhas Rochosas em Bozeman, Montana. Os organismos representados incluem cefalópodes de casca reta e espiralada, crinóides, corais solitários e coloniais, um placoderme artrodire e algas. Imagem de James St. John via Wikimedia

Extinção Permiana

A maior extinção massiva foi a Permiana, eliminando 95% dos animais marinhos e 70% dos animais terrestres, sendo o único evento de extinção em massa conhecido que eliminou também os insetos.

Esta extinção também foi a que levou mais tempo para que a biodiversidade se recuperasse, levando até 30 milhões de anos para voltar à forma de antes.

Evidências mostram que houve três fases para este ocorrido e o consenso científico é que as causas foram as temperaturas elevadas, a alta concentração de oxigênio e a acidificação dos oceanos, devido às grandes quantidades de dióxido de carbono que foram emitidas pela erupção das Armadilhas Siberianas. (Grandes vulcões cujas erupções duraram cerca de 2 milhões de anos, até o fim da Era Permiana).

Por causa de seu impacto, esta extinção foi descrita pelo paleontólogo Douglas H. Erwin como a “mãe de todas as extinções em massa”.

Durante o Permiano, as plantas, animais e insetos já haviam se desenvolvido muito mais desde a última extinção e já haviam vários anfíbios e lagartos grandes e pequenos.

Os Arcossauros e principalmente os Terapsídeos eram os principais vertebrados terrestres.

Reconstrução baseada na vida no solo de uma floresta do Permiano, com um Eryops sendo representado. Esta é uma exposição pública no Carnegie Museum of Natural History em Pittsburgh, Pensilvânia.

Reconstrução baseada na vida no solo de uma floresta do Permiano, com um Eryops sendo representado. Esta é uma exposição pública no Carnegie Museum of Natural History em Pittsburgh, Pensilvânia.

Era Mesozoica

Extinção do Triássico

A primeira extinção da Era Mesozoica teve um grande impacto nos vertebrados terrestres e nos invertebrados marinhos. Cerca de 70% de todas as espécies foram extintas.

No mar, as faunas dos recifes foram dizimadas, os amonoides – um tipo de molusco – e equinodermos como estrelas do mar quase foram extintos. Houve uma queda na diversidade de peixes e répteis marinhos, porém não tão elevada quanto dos outros seres marinhos.

Em terra, todos os arcossauros, muitos terapsídeos e grandes anfíbios da época também desapareceram. Porém as plantas, dinossauros e pterossauros, não foram afetados. Isso permitiu que os dinossauros e pterossauros se tornassem dominantes nos períodos Jurássico e Cretáceo.

Existem diversas teorias que tentam explicar o motivo da extinção, mas todas são refutáveis. A teoria mais aceita, no entanto, é a de que grandes erupções vulcânicas teriam liberado enormes quantidades de dióxido de carbono e dióxido de enxofre, que desencadeou um intenso aquecimento global e acidificou os oceanos, havendo em seguida um grande resfriamento. Contudo, os efeitos de tais processos sobre os grupos de animais e plantas deste período não são bem compreendidos.

Durante o Triássico, os anfíbios eram principalmente representados por grandes animais semelhantes a crocodilos e, embora anfíbios modernos como sapos e salamandras tenham aparecido nessa época, se tornaram mais comuns apenas no Jurássico.

No Triássico, um subgrupo de arcossauros sobreviventes, os dinossauros, começaram a aparecer pela primeira vez, assim como os primeiros verdadeiros mamíferos descendentes dos Terapsídeos, os pterossauros e as flores, que também começaram a ganhar espaço.

Diorama do período Triássica. Exposição no Museum am Löwentor, Stuttgart (Alemanha). Os animas aqui representados são um Paratipotórax em primeiro plano e Batrachotomus em segundo plano

Diorama do período Triássica. Exposição no Museum am Löwentor, Stuttgart (Alemanha). Os animas aqui representados são um Paratipotórax em primeiro plano e Batrachotomus em segundo plano.

Extinção do Cretáceo

Esta é sem dúvida a extinção mais conhecida no mundo, e acabou com 75% das espécies.

A teoria mais aceita para este evento, fala sobre a queda de um asteroide no México. De acordo com diversos estudos, o asteroide tinha mais de 10 quilômetros de diâmetro e seu impacto com a Terra liberou energia equivalente à explosão de cinco bilhões de bombas atômicas como as usadas sobre Hiroshima e Nagasaki em 1945. O impacto teria levantado um grande número de partículas que bloquearam a luz do sol, além de ter desencadeado uma série de tragédias consequentes na Terra.

Sem a luz do solar, as plantas aquáticas e terrestres que dependem da fotossíntese sofreram declínio ou foram extintas. Como consequência, morreram aqueles animais que dependiam das plantas para sobreviver. E, sem os herbívoros, carnívoros como o Tiranossauro Rex também ficaram sem alimento. Essa reação em cadeia foi o que levou os dinossauros à extinção.

Os únicos animais que conseguiram sobreviver foram as pequenas aves, mamíferos, animais onívoros, insetívoros ou carniceiros – provavelmente devido ao aumento de suas fontes de alimento. Também conseguiram sobreviver os animais que viviam no fundo dos oceanos e se alimentavam de detritos.

Embora a teoria do asteroide seja bastante convincente, novas descobertas são feitas periodicamente e ainda não há um consenso final sobre o que de fato aconteceu.

A eliminação dos grupos dominantes do Cretáceo permitiu que outros animais tomassem seu lugar, causando uma notável substituição dos dinossauros pelos mamíferos. Todos os animais que sobreviveram à última extinção, como aves, répteis, peixes e insetos, se desenvolveram e diversificaram rapidamente sem os antigos animais dominantes.

Ainda há debates sobre as causas de todas as extinções em massa mas as principais são as alterações climáticas, a grande movimentação dos continentes – que causavam reações em cadeias, como grandes erupções vulcânicas espalhando componentes tóxicos pelo ar e água – e eventos extraterrestres, como a queda de meteoros e asteroides.

Por mais que pareça que havia muitas catástrofes e extinções, vale ressaltar que o intervalo entre cada uma delas é de milhões de anos. Da mesma forma, os animais de cada uma dessas épocas não entraram em extinção em questão de dias ou meses. A extinção total foi um processo que durou milhares de anos para ser concluída.

Em um estudo feitos pelos paleontólogos Sepkoski e Raup confirmou desde 1982 que estamos a caminho de uma sexta extinção em massa.

Extinção do Holoceno

Será o resultado da atividade humana, impulsionada pelo crescimento populacional e consumo excessivo dos recursos naturais. Segundo a IPBES (Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos), mais de 800 espécies desapareceram nos últimos 500 anos, uma taxa de 1 mil a 10 mil vezes mais rápida do que sem a existência dos humanos. Um estudo de 2020 feito por pesquisadores da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, estima que uma em cada três espécies de plantas e animais poderá desaparecer nos próximos 50 anos em decorrência das mudanças climáticas. Isso sem falar do desmatamento, da caça ilegal e poluição dos mares que fazem esses números serem ainda mais alarmantes. Portanto, é importante cuidarmos do nosso planeta!


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